Concurso Centro Administrativo de Belo Horizonte
Natalia Necco
Descrição
Memorial O extenso programa do novo Centro Administrativo de Belo Horizonte induz a um partido vertical em função da área onde se implanta. No projeto que apresentamos, essa verticalidade enfatiza o eixo da Avenida Afonso Pena, através do vazio definido pela clara simetria do conjunto entre os volumes das Secretarias. No sentido de preservar a escala humana e favorecer uma desejada racionalidade substantiva ao trabalho cotidiano, capaz de proporcionar uma visão global da empresa a todos os trabalhadores, propusemos a superposição de quatro blocos, cada um com oito andares e térreo, de cada lado do eixo. Nos pavimentos térreos desses blocos, de ambos os lados, distribuem-se, nos quatro níveis, as áreas especiais do programa, os espaços de lazer e cultura e os refeitórios. Uma simples inclusão de terraços abertos e cobertos nos níveis dos pilotis, entre os blocos, configura a superposição de quatro átrios, como “praças urbanas suspensas” que abrigam os acessos livres de público e funcionários e as áreas especiais distribuídas em seus diversos níveis. Esses espaços públicos superpostos constituem os grandes halls de distribuição dos setores das Secretarias onde se encontram os pontos de chegada dos elevadores coletivos de público - ônibus verticais- para acesso aos diversos órgãos do Centro Administrativo de Belo Horizonte. Como verdadeiras “praças urbanas suspensas” exibem desenho próprio com áreas livres dotadas de equipamentos urbanos como canteiros arborizados com bancos, telefones públicos, bebedouros, além de diversos espaços de circulação e comunicação visual. Essa solução, de mínimo custo em relação ao empreendimento global, permite configurar esses espaços intersticiais do complexo arquitetônico - cobertos e protegidos da chuva e do vento - que propiciam o contato permanente entre todos os usuários conferindo uma maior eficiência ao desempenho das funções públicas. Desse modo, desenha-se a interpenetração da Cidade e da Arquitetura, dos espaços públicos e privativos com a valorização do eixo da Avenida Afonso Pena que não só flui horizontalmente através do “vazio” do complexo arquitetônico como também se eleva e ganha o espaço aéreo multiplicando-se em diferentes níveis visuais para a cidade de Belo Horizonte. O térreo do conjunto abriga o grande espaço cívico, simbólico, o vão livre da Esplanada Cívica de Belo Horizonte. No Subsolo implantamos com plena integração com o metrô e a cidade, o Hall Nobre Principal do Centro Administrativo de Belo Horizonte, o Auditório com capacidade para 500 pessoas, o Arquivo geral e os Estacionamentos subterrâneos. Entorno Urbano A implantação desse volume vertical na área de intervenção define um conjunto arquitetônico e urbanístico que exibe a acumulação histórica de épocas diferentes da Cidade de Belo Horizonte: - O edifício do RISP, com característica eclética. - O edifício da estação Rodoviária com característica modernista. - O monumento escultórico de autoria de Mary Vieira da Silva. - O novo Centro Administrativo de Belo Horizonte, com característica contemporânea. - A Esplanada Cívica proposta. Desenhamos um complexo arquitetônico histórico que, como conjunto singular, integra através dos vazios entre seus volumes, os diversos exemplares construídos no tempo, propiciando a leitura histórica da cidade. O dialogo que se estabelece entre arquiteturas de épocas diferentes organizadas pelo traçado urbanístico e paisagístico no eixo da Avenida Afonso Pena sugere a unidade na diversidade das escalas do projeto. Nesse sentido nossa intervenção preserva o traçado viário e enfatiza, com as arvores de maior porte, o eixo principal do projeto possibilitando miradas desde o monumento da Praça Rio Branco até a Estação Rodoviária. Um renque de palmeiras imperiais se desenha, em leve curvatura, transversalmente ao eixo principal e estabelece importante referencia à escala monumental do conjunto. A área triangular da Esplanada Cívica contém apenas os apoios do Centro Administrativo e integra a Estação Rodoviária através do piso desenhado pelo paisagista Roberto Burle Marx. Passarelas para pedestres e veículos articuladas às extremidades da Esplanada Cívica conduzem o numeroso fluxo de pedestres para a transposição sobre o canal do Córrego do Pastinho e a Ferrovia em substituição à passarela existente que une o bairro do Bonfim e Lagoinha com a área central da cidade. O fluxo de pedestres para a Estação Metrô Lagoinha é otimizada com a implantação de passarela na outra extremidade da Esplanada Cívica.Assim apresentamos nosso projeto para o novo Centro Administrativo de Belo Horizonte que poderá inaugurar em sua proposta de diálogo entre macroestruturas e microestruturas aéreas um novo caminho na evolução do desenho das cidades na era metropolitana.
Detalhes